Espero que seja, de alguma maneira, construtivo!

sábado, 5 de março de 2011

O Homem cuja Orelha Cresceu - Ignácio de Loyola Brandão

O homem cuja orelha cresceu
Ignácio de Loyola Brandão

Estava escrevendo, sentiu a orelha pesada. Pensou que fosse cansaço, eram 11 da noite, estava fazendo hora-extra. Escriturário de uma firma de tecidos, solteiro, 35 anos, ganhava pouco, reforçava com extras. Mas o peso foi aumentando e ele percebeu que as orelhas cresciam. Apavorado, passou a mão. Deviam ter uns dez centímetros. Eram moles, como de cachorro. Correu ao banheiro. As orelhas estavam na altura do ombro e continuavam crescendo. Ficou só olhando. Elas cresciam, chegavam a cintura. Finas, compridas, como fitas de carne, enrugadas. Procurou uma tesoura, ia cortar a orelha, não importava que doesse. Mas não encontrou, as gavetas das moças estavam fechadas. O armário de material também. O melhor era correr para a pensão, se fechar, antes que não pudesse mais andar na rua. Se tivesse um amigo, ou namorada, iria mostrar o que estava acontecendo. Mas o escriturário não conhecia ninguém a não ser os colegas de escritório. Colegas, não amigos. Ele abriu a camisa, enfiou as orelhas para dentro. Enrolou uma toalha na cabeça, como se estivesse machucado.

Quando chegou na pensão, a orelha saia pela perna da calça. O escriturário tirou a roupa. Deitou-se, louco para dormir e esquecer. E se fosse ao médico? Um otorrinolaringologista. A esta hora da noite? Olhava o forro branco. Incapaz de pensar, dormiu de desespero.

Ao acordar, viu aos pés da cama o monte de uns trinta centímetros de altura. A orelha crescera e se enrolara como cobra. Tentou se levantar. Difícil. Precisava segurar as orelhas enroladas. Pesavam. Ficou na cama. E sentia a orelha crescendo, com uma cosquinha. O sangue correndo para lá, os nervos, músculos, a pele se formando, rápido. Às quatro da tarde, toda a cama tinha sido tomada pela orelha. O escriturário sentia fome, sede. Às dez da noite, sua barriga roncava. A orelha tinha caído para fora da cama. Dormiu.

Acordou no meio da noite com o barulhinho da orelha crescendo. Dormiu de novo e quando acordou na manhã seguinte, o quarto se enchera com a orelha. Ela estava em cima do guarda-roupa, embaixo da cama, na pia. E forçava a porta. Ao meio-dia, a orelha derrubou a porta, saiu pelo corredor. Duas horas mais tarde, encheu o corredor. Inundou a casa. Os hospedes fugiram para a rua. Chamaram a polícia, o corpo de bombeiros. A orelha saiu para o quintal. Para a rua.

Vieram os açougueiros com facas, machados, serrotes. Os açougueiros trabalharam o dia inteiro cortando e amontoando. O prefeito mandou dar a carne aos pobres. Vieram os favelados, as organizações de assistência social, irmandades religiosas, donos de restaurantes, vendedores de churrasquinho na porta do estádio, donas-de-casa. Vinham com cestas, carrinhos, carroças, camionetas. Toda a população apanhou carne de orelha. Apareceu um administrador, trouxe sacos de plástico, higiênicos, organizou filas, fez uma distribuição racional.

E quando todos tinham levado carne para aquele dia e para os outros, começaram a estocar. Encheram silos, frigoríficos, geladeiras. Quando não havia mais onde estocar a carne de orelha, chamaram outras cidades. Vieram novos açougueiros. E a orelha crescia, era cortada e crescia, e os açougueiros trabalhavam. E vinham outros açougueiros. E os outros se cansavam. E a cidade não suportava mais carne de orelha. O povo pediu uma providência ao prefeito. E o prefeito ao governador. E o governador ao presidente.

E quando não havia solução, um menino, diante da rua cheia de carne de orelha, disse a um policial: "Por que o senhor não mata o dono da orelha?"

O texto acima foi extraído do livro "Os melhores contos de Ignácio de Loyola Brandão", seleção de Deonísio da Silva, Global Editora — São Paulo, 1993, pág. 135.

__________
Caros leitores!

Como sempre venho primeiramente justificar-me pela demora na postagem: começaram as aulas na faculdade, e andei sem tempo para postar. Grata pela compreensão!

     Quanto ao texto "O Homem cuja Orelha Cresceu" farei um breve comentário, deixando para suas mentes interagirem com ele.
     Inicialmente pode ser um texto sem sentido, sem nexo algum, mas  fazendo uma análise mais aprofundada pode-se perceber que a intenção do autor é realmente fazer com que o leitor crie situações reais que possam ser comparadas às orelhas do pobre personagem. 
     A primeira situação que surgiu em minha mente foi uma comparação às mazelas sociais. Até um certo ponto elas podem permanecer escondidas, camufladas com outras situações, mas chegam a um ponto extremo de crescimento, que não podem mais se esconder, e os órgãos competentes dessa área vão ter que mostrar serviço. Inicialmente as soluções encontradas parecem diminuir os problemas, mas eles continuam crescendo, e tenta-se junto a isso arranjar alguma outra maneira de camuflar o crescimento, podendo-se aludir assim ao fim do texto:
E quando não havia solução, um menino, diante da rua cheia de carne de orelha, disse a um policial: "Por que o senhor não mata o dono da orelha?"
    Essa foi uma visão negativa das coisas, mas foi a primeira situação que surgiu em minha mente.






quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Quando parece utopia

Incrível que as opções para divagar são muitas, porém tenho a impressão de que quanto mais se procura inspiração, mais ela foge de nossas cabeças. Enfim, isto é apenas uma justificativa sincera e atual para os possíveis longos intervalos entre uma postagem e outra. Prometo procurar fazer com que isso não aconteça. O tema dessa postagem, é claro, já está escolhido, ou nem teria motivo para eu estar aqui.


Diante de todos os acontecimentos, parece até utopia imaginar uma sociedade que não precise mais discutir com tanta preocupação temas como pena de morte, violência, prisões lotadas, diminuição da maioridade penal, injustiças cometidas, dentre outras tantas mazelas que nos atingem, que não cabe aqui citar pois alongaria demais meu texto. É perceptível que o bem e o mal se entralaçam em tudo que  o homem faz, isso esteve presente em toda a história. Perante atitudes humanas que nos parecem más demais para cotinuarem desfrutando da vida, podemos nos indignar e dizer que somos a favor da pena de morte, que ela deveria existir sim, e tantas outras coisas que expelimos em momentos de revolta contra nossa própria raça. Analisando mais a fundo conseguimos enxergar que bastam maiores investimentos, preocupação de verdade, escolhas plausíveis na hora de votar, educação de qualidade e todos esses elementos repetitivos. Digo repetitivos pois podemos citar várias e várias vezes em nossos textos, mas ver acontecer, é algo totalmente distinto. Que pena! O que nos falta para esses temas serem realmente resolvidos é primeiramente uma aproximação entre a intenção da lei e sua aplicação, ou seja, precisamos de leis mais rígidas, que realmente façam valer nossos direitos na prática, e não apenas no papel. Isso já seria um bom pontapé de entrada para amenizar os problemas. E que pontapé, pois nossas leis dão o direito à educação, mas o que não vejo é qualidade, oportunidade,  e com essa falta as pessoas buscam outras alternativas para sobreviverem, e é daí que vem muita parte da criminalidade. É, o assunto é deveres importante, e às vezes os 'nossos escolhidos' ainda o tratam com frivolidade. Por fim, concluirei meu texto com o trecho de um outro texto, da Lya Luft, pois diz em outras palavras tudo o que gostaria de dizer: "Se fosse possível - e com real determinação é possível - botar essa meninada em escolas em tempo integral; se fosse possível, e é, expulsar os traficantes das favelas de todas as grandes cidades; se fosse possível, e é, punir exemplarmente os corruptos públicos, dando esperança às pessoas [...]. [...] se cada pessoa que usa maconha ou outra droga fornecida por traficantes pensasse que a cada baforada, cheirada ou injeção está fortalecendo a criminalidade; se os corruptos dos altos e baixos escalões fossem punidos e não afagados" (Revista Veja, ed. 2062, 2008, p. 20), certamente não precisaríamos achar que é utopia a resolução dos temas citados no início do texto.





 Já que o tema foi discutido, sempre pensei em tentar fazer algum tipo de movimento contra aquilo que não achamos correto na política, na socidade... e esse movimento poderia ser na internet, onde está o maior número de jovens, acessando diariamente, porém não consigo imaginar como poderia começar, como poderia ser organizado. Deixo lançada a ideia, e se alguém gostar e tiver sugestões ou alguma ideia parecida postem nos comentários, vamos ver o que podemos fazer. Obrigada!

G.B.A




Link do texto da Lya Luft, o qual tirei o trecho final do meu texto: http://veja.abril.com.br/280508/ponto_de_vista.shtml

sábado, 15 de janeiro de 2011

Deu no New York Times - Larry Rother (Resenha)

Olá! Hoje irei resenhar o livro Deu no New York Times, de Larry Rohter!

O livro "Deu no New York Times" do jornalista Larry Rohter, que ficou mais conhecido aqui no Brasil quando citou que o ex presidente Luiz Inácio Lula da Silva possuía gosto pela bebida, reúne diversas matérias do jornalista quando foi representante aqui no Brasil, e mostra suas peculiares impressões e momentos vivenciados em nosso país. É uma leitura interessante e ao mesmo tempo cansativa, instigando a sabermos qual é a impressão dos estrangeiros quando vêm para o Brasil. O autor divide o livro por assuntos começando pela cultura, depois sociedade, política, amazônia e por fim ciência e economia. Cada seção traz as melhores reportagens do autor sobre o tema, e possuem uma mescla de críticas e elogios ao Brasil, apontando principalmente os problemas do governo e da forma de agir do povo, ambas muito singulares. Repetidas vezes parei a leitura e analisei as críticas com fatos concretos que realmente acontecem. O interessante é que Larry Rohter critica construtivamente, apresentando possíveis soluções, fazendo o leitor perceber que o seu interesse não era difamar, e sim apresentar aos estadunidenses o cotidiano brasileiro, de forma a fazer com que se interessassem. Faz questão de deixar claro também que é a sua PARTICULAR impressão sobre o Brasil que ele está apresentando. As soluções expelidas pelo autor, na maioria das vezes, são baseadas em comparações com situações semelhantes em outros países, e ainda, faz muitas comparações do Brasil com os EUA, a fim de familiarizar o seu povo com o nosso povo. Na seção que fala sobre política deixa transparecer o início amistoso de sua relação com o ex presidente e o fim inconstitucional, que o levou a quase ser expulso do país. Alguns comentários chamaram-me mais atenção, como quando fala da natureza flexível da política brasileira, do brasileiro na arte de duplipensar, da natureza flexível da política brasileiro, do hiato que existe com a inteção declarada da lei e sua aplicação, das soluções apresentadas para começar a dar um fim na corrupção, suas ideias para um governo de sucesso, etc. Muitos ao ler a resenha podem pensar: não estou interessado na visão que algum americano possui sobre o Brasil, porém ao ler as reportagens contidas no livro percebemos que são ditas muitas verdades que procuramos muitas vezes ignorar, com certeza tiveram opiniões com as quais não concordei, e podem ter sido muitas, mas o livro abre os olhos para uma visão mais crítica e construtiva. No início da resenha citei que era uma leitura interessante e cansativa, digo interessante pois nos instiga a saber mais e mais, e cansativa pois as reportagens às vezes são repetitivas sobre alguns aspectos que já conhecemos e muito bem, mas como elas foram feitas com o objetivo de familirizar os americanos, é compreensível. Enfim, a leitura serviu para relembrar muitos fatos que aconteceram no Brasil, e principalmente para perceber como somos vistos com nossas atitudes. 


Título: Deu no New York Times: o Brasil segundo a ótica de um repórter do jornal mais influente do mundo
Autor: Larry Rohter
Tradução: Otacílio Nunes
Editora: Objetiva
Ano: 2008
Número de páginas: 416

Abaixo deixarei alguns trechos grafados ao decorrer da minha leitura:

"A política brasileira é um processo de reinvenção refiliação e reacomodação". 
(Nesta parte ele está falando da natureza flexível de nossa política, de como são mutantes as lealdades e alianças entre os partidos, etc).

"A única maneira de o Brasil começar a extirpar a corrupção endêmica e institucionalizada e completar o processo que começa com a mudança do governo militar para o civil em 1985, é a aprovação de uma reforma política abrangente [...]". (p. 152-153)

"Um governo precisa sempre buscar o interesse nacional, e não seguir os caprichos ou projetos favoritos de um só partido ou facção"

Em uma de suas citações fala do conceito de duplipensar, que comentei acima, que foi criado por George Orwell, sendo o poder de manter duas crenças contraditórias na mente ao mesmo tempo. "Os brasileiros são craques nessa arte. Eles são ao mesmo tempo ufanistas sobre o Brasil, e os mais implacáveis críticos de sua sociedade", diz ele.

Peço desculpas por não estarem grafadas as páginas nas citações, é que no decorrer da leitura esquecia de tal detalhe. Obrigada, seria isso por hoje!

G.B.A

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Alguns itens que chamaram a atenção

Olá! Andei lendo alguns livros e alguns extratos chamaram-me a atenção, e resolvi compartilhar...

"A coloração ideológica é menos importante que o sofrimento humano que ela causa em nome de um culto à personalidade ou de metas e benefícios gerais que se revelam ilusórios". (Deu no New York Times - Larry Rohter)

 Neste mesmo livro encontrei o conceito de duplipensar, criado por George Orwell, que seria o poder de manter duas crenças contraditórias na mente ao mesmo tempo. O autor do livro cita que os brasileiros são craques nessa arte, dizendo que somos ao mesmo tempo ufanistas sobre o Brasil, e os mais implacáveis críticos do mesmo.


"Viver no mundo sem tomar consciência do significado do mundo é como vagar por uma imensa biblioteca sem tocar nos livros" Ensinamentos secretos de todos os tempos


Gostaria de citar ainda que estou lendo "O mundo de Sofia", e estou no início, e pelo início indico o livro, pois parece ser muito bom, além do autor criar um certo tipo de mistério, ele ensina filosofia, é claro!


É, seria isso por hoje..
Até mais e espero comentários e sugestões


sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Sem assunto..

É tão triste procurar um assunto para escrever, saber que existem tantos que você gostaria de falar, e não escrever sobre nenhum porque a tarde está vazia e parada, sem estimulo nenhum para inspiração. Li alguns textos a procura de uma luz para que a inspiração tão necessária surja, mas isso não me ajudou em absolutamente nada. Que fique claro que não estou desmerecendo os textos que li, pois esses eram interessantes. Se algum leitor tiver alguma sugestão de assunto a ser discutido, por favor, quem sabe este seja um caminho para inspiração!

Até a próxima postagem (isso pode ser considerado uma?)

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Dica de Leitura

Depois de mil anos sem postar, cá estou eu, para uma dica de leitura!

O Leitor - Bernhard Schilink
     É uma leitura envolvente, que se faz rapidamente, pela curiosidade que causa no leitor.
    A história se passa na Alemanha, e narra o relacionamento de Michael Berg, um menino de 15 anos, com Hanna Schimitz, uma mulher vinte anos mais velha que ele. Os encontros entre eles são marcados por um ritual: primeiro tomam banho juntos, ele lê livro para ela, e depois fazem amor. Mas Berg, nunca chega a saber muito sobre sua amante, e certo dia ela resolve sumir, e ele acha que nunca mais irá encontrá-la. Segue sua vida, e começa a estudar Direito. Encontra Hanna em um julgamento, onde ela é uma das acusadas, por diversas mortes em um campo de concentração nazista. Então Michael ligando alguns fatos percebe que Hanna guarda um segredo (lógico que não vou contar aqui qual é) que considera mais vergonhoso que um homícidio.
     Um dos trechos que mais me chamou atenção no livro: ''Por quê? Será porque aquilo que foi belo se torna frágil para nós em retrospectiva, por esconder verdades sombrias? Por que a lembrança de anos felizes de casamento se estraga quando se revela que o outro tinha um amante durante todos aqueles anos? Será porque não se pode ser feliz em tal situação? Mas a pessoa era feliz! Às vezes a lembrança não é fiel à felicidade quando o fim foi doloroso. Será porque a felicidade só vale quando permanece para sempre? Será porque só pode terminar dolorosamente o que foi doloroso de modo inconsciente e invisível? Mas o que é uma dor inconsciente e invisível?
  
Fica a dica!



OBS: Este romance deu origem ao filme estrelado por Kate Winslet e Ralph Fiennes!

G.B.A

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Educação no Brasil: excesso de falta!

   A educação é uma das peças mais relevantes para o desenvolvimento de um país, não apenas no âmbito social, no econômico também. O Brasil neste contexto, mesmo estando com sua economia ascensão, deixa a desejar.
   Há uma negligência, tanto de políticos como da população, em analisar e recorrer a sistemas educacionais realmente de qualidade. Existem vagas tentativas de melhorias, mas estas, como o sistema de cotas para colégios públicos, servem apenas para camuflar um sistema precário que gera reflexos na sociedade como um todo.
   Se analisarmos o nível de escolaridade da população que vive em países desenvolvidos, perceberemos que os níveis de analfabetismo são pouco notórios. Já o Brasil possui um dos piores índices do mundo.
   A estrutura física da maioria das escolas públicas do país está em pedidos de socorro, isto também não deixa de mostrar a estrutura como um todo. Os governantes nunca investiram devidamente nisto e maior parte da população não se preocupa em fiscalizar as verbas destinadas para tal.
   Os alunos em geral estão demonstrando cada vez menos interesse, e os professores que são mal remunerados estão desmotivados e despreocupados com as consequências que tudo isto pode trazer para a geração futura.
   Será que já não está na hora de perceber que o caminho mais provável para resolvermos grande parte dos problemas sociais do nosso país é investir em educação?

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Quem sou eu na sociedade e na cultura?

Proposta de meu professor de filosofia, fiz e vou publicar aqui!

Quem sou eu na sociedade e na cultura?
Antes de definir quem sou eu na sociedade e na cultura, é preciso dar uma acepção à estas palavras.
Inicialmente para se ter uma vida social respeitável, é necessário estar convicto de que nela sempre irão existir leis a serem cumpridas e diferenças a serem aceitas, como o acervo de culturas - conjunto de padrões de comportamento e de outros valores morais ou materiais.
Posso considerar-me uma pessoa sociável, pois busco conhecimento cultural, vindo de diferentes pessoas e lugares, e também procuro respeitar os costumes e opiniões alheias. Porém muitas vezes busco questionar o senso comum, que é simplesmente aceito em grande quantidade por mentes às vezes alienadas.
Como vivemos em uma sociedade teoricamente democrática estou ciente que de acordo com o o significado da palavra democracia tenho o dever de fazer com que não existam distinções ou privilégios de classes hereditários ou arbitrários, como existem hoje, e que tenho o direito de exigir minha liberdade de expressão em quaisquer circunstâncias.
G.B.A

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

O Tempo

"O TEMPO"

Nossas vidas são contadas pelo tempo, mas sempre obtemos apenas alusões sobre, pois uma acepção exata é difícil encontrar. Einstein faz com que nossas dúvidas sobre esse termo assaz confuso aumentem, quando diz que o tempo e o espaço não existem como entidades separadas: quando estamos em situações extremas (velocidades próximas à da luz) o tempo passa mais lentamente. A Teoria da Relatividade diz que um gêmeo pode envelhecer mais devagar que seu irmão: basta fazer uma longa viagem a alta velocidade. Quando voltar, seu irmão estará velho - como estaria o viajante se tivesse ficado na Terra.
Porém dei essas definições para introduzir um questionamento fora da Teoria da relatividade, ou apenas um texto ''romântico'' sobre o tempo, sem muitos dados científicos.
O tempo não existe de forma palpável, como a matéria, o tempo é algo que precisamos poupar, que precisamos aprender a lidar com ele, e que possuímos um objeto cheio de números e ponteiros para marcá-lo, e um calendário para marcarmos os maiores tempos.
Quando estamos passando por momentos bons, apreciáveis, ou quando precisamos de tempo, não possuímos, ou seja, não percebemos que ele passa tão rápido, mas quando estamos com um desejo veemente de que ele passe rapidamente, isso não ocorre, talvez pela nossa ansiedade de exaurir aquele momento de fadiga.
O tempo nos faz aprender, nos faz ser mais intrépidos, faz com que cada minuto seja uma importante decisão em nossas vidas. Com o tempo, podemos conhecer as pessoas, e descobrir como elas são, e se realmente vale a pena passar o resto do tempo que obtemos em vida com elas. É assim que lidamos com o nosso tempo não-científico. Para tudo tem seu tempo!
O tempo pode ser malévolo, perverso com você, então aproveite ele da melhor maneira possível, já que não podemos economizá-lo viajando à velocidade da luz. Esse é o nosso tempo. Uma hora, duas horas, três horas, quatro... um dia, uma semana, um mês, um ano, e logo vem outro, fazendo com que nosso natal torne-se cada vez mais rotineiro e sem o clima pueril de outros tempos, pode ser pela rotina, mas quem vai dizer que é ou não?
E aqui fica uma poesia de Mário Quintana:
AH! OS RELÓGIOS

Amigos, não consultem os relógios
quando um dia eu me for de vossas vidas
em seus fúteis problemas tão perdidas
que até parecem mais uns necrológios...

Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida - a verdadeira -
em que basta um momento de poesia
para nos dar a eternidade inteira.

Inteira, sim, porque essa vida eterna
somente por si mesma é dividida:
não cabe, a cada qual, uma porção.

E os Anjos entreolham-se espantados
quando alguém - ao voltar a si da vida -
acaso lhes indaga que horas são...

Mario Quintana - A Cor do Invisível


E você, o que acha?

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Interessante!

Na leitura do livro: América - A história e as contradições do Império - de Voltaire Schilling, encontra-se este pequeno trecho de acepção interessante para mim:

" Na filosofia de Rousseau, a natureza oferecia um bálsamo para que pudéssemos exorcizar a vida hipócrita que éramos constrangidos a manter em sociedade, era um momento de reencontro do ser humano com as fontes primitivas e bondosas que todo homem e toda mulher trazem dentro de si, mas que são obrigados a esconder no convívio cínico, hipócrita e teatral que lhes é imposto do convívio social em geral".

É verossímil que a maioria dos seres humanos que aqui habitam estejam constrangidos com a vida hipócrita que se leva em sociedade.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Uma explicação!

Sobre o meu primeiro texto: "O Brasil é um país de acomodados"

Minha explicação para o meu lapso com o brasileiro, depois de alguns comentários, algumas leituras e conversas com as mais variadas pessoas, incluindo minha professora de história, vejo que o que citei está de certa forma errado. Mas é possível considerá-lo uma introdução para o título. E algum dia em que estiver inspirada e provida de mais tempo, incluirei a introdução e o texto inteiro que pode vir com dissensões. Pois acho que não somos tão acomodados como disse na introdução de um assunto que tem as suas controvérsias!

Obrigada pela compreensão, se a tiver!

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Será?

Bom, venho aqui agora com um texto que há algum tempo atrás minha professora de história pediu para engendrarmos...
Em busca de uma sociedade mais justa

Acredita-se que uma sociedade materialista não serve às necessidades humanas. Dá-se muita ênfase à valores externos, quando a mesma deveria ser atribuída aos internos, pois são esses que precedem os primeiros. Por exemplo, quando estamos prestes a comprar um carro, primeiramente observamos se ele é bonito, os itens que ele possuí e o preço, sem observarmos se ele serve às nossas necessidades e posteriormente preocupar-se com o preço.
Vivemos em uma sociedade notoriamente consumista, onde a fome é um dos assuntos e fatos mais cruéis. Em ‘virtude’ do consumismo, as pessoas não estão satisfeitas com o muito, há inexistência de auto-limite. Somos vítimas da inexistência de auto-limite antes citada e por isso não se consome apenas o necessário, mas também o supérfluo, sendo este fonte de lucros e auto-suficiência para outros (os fabricantes e vendedores), que realmente necessitam desta venda.
A produção de supérfluos aumenta cada vez mais, pois são bem alimentadas por nós, consumidores, e posteriormente justificadas.
Nossos desejos são ilimitados e acabamos sendo negligentes com o nosso planeta. Precisamos ser cônscios de que a Terra é finita de recursos, e que ela pode ser assolada a qualquer momento com essa infinda exploração.
Somos imbuídos muitas vezes à pensamentos mundanos. Muitas vezes pessoas míopes e com ausência de personalidade consomem demais para simplesmente aparecer.
Se consumíssemos sem ganância e futilidades, o mundo seria mais justo e haveria menos desigualdade e escabrosidade. Para isto não é preciso ‘’repudiar dinheiro, basta ter bom-senso.’’

"É necessário, se é necessário, logo é possível."

G.B.A

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Caros leitores parcos. Hoje vou encetar ao meu blog, como podem perceber, e como no início de minha fala disse que são leitores parcos, quis dizer que seriam poucos os que viriam a ler o meu blog, mas não me incomodo com a idéia. E para dar início ao meu blog, já vou postando um texto que fiz após um lancinante trabalho de história, que seria como a conclusão para a professora. Gostei do tema e assim começo meu blog. Gostaria de ver comentários e alvitres sobre o texto ;) Tenham uma ótima madrugada!
PS: aos textos de minha autoria assinarei com G.B.A embaixo, que é a sigla de meu nome.

O Brasil é um país de acomodados?

Sim, somos acomodados! Por quê? Aqui responderei a pergunta.

Primeiramente, somos obrigados a assistir vários absurdos que acontecem todos os dias, abrir o jornal é se indignar, é claro, momentaneamente. Quando a televisão é desligada, o jornal fechado ou a notícia ‘camuflada’ esquecemos e voltamos à ordem natural das coisas. Mais uma vez negligenciamos nosso país. É lancinante a nossa situação, e o que fazemos? Acomodamos-nos.

O povo do Brasil aceita as coisas de cabeça baixa. Em outros países protestos são feitos por motivos menores que escândalos de dólares na cueca. Aqui somos assaltados pelos bandidos e políticos, temos educação de péssima qualidade e levamos isso como frívolo para um protesto. O povo simples, que é ditado pela mídia, é míope, não chega a escutar a voz daqueles que tem olhos abertos. Esse povo é facilmente persuadido por algum engodo de um político, por exemplo.

O brasileiro se mobiliza apenas para fazer festas, brincar carnaval, assistir final de Copa do Mundo ou comemorar Réveillon. Falou em micareta? Mais de um milhão de pessoas. E uma passeata contra a violência? É sorte juntar mil pessoas.

O que falta é senso crítico para o povo brasileiro, saber discernir o que é certo e errado, e até quando os superiores são brejeiros com a nossa ética.

Um exemplo da acomodação do brasileiro começa em sala de aula, onde alguns alunos não se coçam para estudar, não pensam no futuro, querem aproveitar o presente e basta. Isso chega a degradar o interesse pelo conteúdo a ponto dos professores poderem ‘enfiar güela abaixo’ qualquer coisa que queiram, sem nenhum medo de contestação.

Um alvitre para mudar esta realidade que vivemos há muito tempo, seria a mudança começar dentro de cada um, se cada pessoa ao menos altercasse o que afeta a sociedade e participasse mais de decisões seria um ótimo começo. É bom marcar em cima e deixar de ser tácito – calado - e parco com as palavras que questionam os problemas. Assim iremos dar início ao aprumo dele.

G.B.A


Espero não esmorecer a idéia de ter um blog :) Ajudem-me!